Avaliação do 2º período

Relacionar para Clarificar

Estamos a apenas alguns dias do término do 2º período lectivo. Tendo em vista a avaliação das crianças, gostaria de chamar a atenção para duas questões que considero importante considerar:

* A relação entre as avaliações de dois momentos distintos: 1º período e 2º período;
* A necessidade de garantir a pertinência e clareza da informação que se presta aos encarregados de educação.

Relacionar o quê?
- As aprendizagens efectuadas.
- Os progressos evidenciados nas diversas áreas/domínios.
- As dificuldades/problemas

Relacionar com o quê?
- Com a informação constante no relatório (ficha) de avaliação do 1º período.

Relacionar para quê?
- Para caracterizar a progressão das aprendizagens.
- Para saber quais foram os progressos mais significativos e para perceber se persistem as dificuldades então identificadas.
- Para identificar novas dificuldades.

Uma avaliação que se caracterize pela mera identificação de evidências relativamente a aprendizagens adquiridas ou não adquiridas neste 2º período lectivo, não é suficiente para apreciar o desenvolvimento global da criança na medida em que não estabelece comparações com o primeiro momento de avaliação (1º período).

* Não é suficiente para si, porque precisa de ter uma visão abrangente sobre o processo de aprendizagem da criança que lhe permita (re)definir estratégias tendo em vista uma resposta adequada à especificidade da criança em causa;
* Não é suficiente para os pais/encarregados de educação da criança, porque a informação facultada não lhes permite compreender os progressos do seu educando, na medida em que é uma informação compartimentada, limitada ao período lectivo em causa. É preciso estabelecer a ponte com a avaliação do período anterior.

Para que a avaliação seja pertinente e clara é necessário então uma leitura global, a qual permitirá compreender os progressos efectuados e caracterizar o processo de aprendizagem da criança. Para tal é necessário que se estabeleça comparações entre os dois momentos de avaliação.

Para perceber melhor a ideia, tomemos como exemplo o que se passa connosco quando estamos doentes e nos é prescrito pelo médico a realização de análises clínicas. Uma vez recebido o resultado, não resistimos e abrimos o envelope e porque sabemos ler e somos inteligentes, até percebemos onde se encontram os valores considerados normais/anormais. No entanto, para percebermos a dimensão da informação constante no relatório, dirigimo-nos (como nos é exigido!) ao médico porque é necessário que ele faça a sua leitura e sintetize a informação de modo que percebamos se estamos bem ou nem por isso.

O mesmo se aplica à avaliação da criança. A informação aos pais deverá permitir-lhes compreender os progressos registados entre o anterior momento de avaliação e o presente momento e essa tarefa compete-lhe a si, enquanto profissional. Não espere que seja o encarregado de educação a decifrar a informação constante na ficha de avaliação da criança, mesmo que apresente em duas colunas, lado a lado, as avaliações do 1º e do 2º período. A leitura global cabe-lhe a si.

Isto implica ter em atenção duas questões, as quais deverão constar no relatório (ficha) da avaliação:

* Identificação das estratégias que implementou tendo em vista a superação das dificuldades identificadas no 1º período e avaliação dos resultados observáveis no 2º período;

* Identificação de estratégias a implementar no 3º período tendo em vista as dificuldades que se mantêm ou que se evidenciaram no decurso do 2º período.
Também as estratégias que irá implementar tendo em vista o estímulo de capacidades que se destacam e que deverão merecer tanto a sua atenção como as dificuldades diagnosticadas.

Estas são duas informações importantes, quer para si, quer para os pais/encarregados de educação. Por um lado permite-lhe avaliar o processo de ensino e incita-a a encontrar as respostas necessárias, por outro lado, justifica ao encarregado de educação o resultado da avaliação efectuada e presta-lhe contas relativamente aos passos seguintes.

Estas são questões muito importantes a ter em conta na informação aos pais da avaliação da criança para que a mesma faça sentido. Deste modo, dá resposta ao que foi feito até à data e ao que é necessário ainda fazer em prol do sucesso de aprendizagem da criança. Não concebo a avaliação de outro modo.
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2 comentários:

Educadora de Infância disse...

Olá Albertina,

Muito pertinente e oportuno este post sobre o momento de avaliação que se aproxima. Gostei.

Continuação de bom trabalho.

Beijinhos.

Albertina disse...

Obrigada. EStamos em tempo de reflectir sobre a avaliação.

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